Os tapetes de Oaxaca

Quando passar pelo estado de Oaxaca, não deixe de conhecer Teotitlán del Valle, a cerca de 30 minutos da capital. Teotitlán, no idioma Nahuatl , significa Terra dos Deuses. Ali você poderá conhecer o processo de fabricação artesanal de tapetes.
A técnica era utilizada pelos antigos habitantes da região, os Zapotecos, antes mesmo do descobrimento da América. O conhecimento foi passado de geração para geração, e a tradição se mantém até os dias atuais. O processo de tingimento da lã, por exemplo, é realizado exatamente da mesma maneira que há milhares de anos e será detalhado em seguida.

Diferentes cores de lã e os materiais utilizados para o tingimento

Os tapetes de Oaxaca são produzidos através da lã de ovelhas. Após a tosa, a lã é lavada conforme faziam seus antepassados. Não utilizam sabão ou produtos químicos. Fazem isto com água e a raiz de uma planta da região. Após lavar, deixam secar para fazer os fios. É necessário “pentear” a lã para que os fios fiquem uniformes.

Antigamente, os fios eram produzidos enrolando a lã em um pedaço de madeira. Com a chegada dos espanhóis o processo foi aperfeiçoado. É necessária muita habilidade para que todo o material tenha a mesma espessura.
Confeccionando os fios de lã

Após transformar a lã em fios, é realizado o tingimento natural. Para cada cor, utiliza-se um processo diferente. Para os tons de laranja e vermelho, utiliza-se a Cochinilla, um inseto que ataca o nopal (planta muito comum aqui no México). Ao pressioná-lo, libera um coloração avermelhada. Os artesãos fazem isto em um recipiente de barro, formando uma pasta. Após secar, adicionam parte deste material à água. Agregam limão, e então bicarbonato de sódio para a fixação da cor. Diferentes concentrações destes elementos geram tonalidades diferentes.

 

Insetos que atacam o nopal e são utilizados como corante

 

A coloração vermelha obtida a partir da Colchinilla com limão
Para azul e lilás utiliza-se uma planta local, o añil, que se cozinha com água e sal para a fixação da cor. Os tons de amarelo e bege são obtidos também de uma planta, chamada de Huizache no idioma Nahuatl. Já os tons de verde são obtidos através de musgos que se formam em rochas.
Após escolher a tonalidade desejada, submergem a lã na água tingida e então deixam secar. Após algumas horas já está pronto para o tear. Apesar de ser um processo de tingimento ancestral, que surgiu diversos séculos antes da química moderna, sua durabilidade é incrível. Os artesãos oferecem garantia de 40 anos aos produtos que vendem.Em teares, produzem uma infinidade de desenhos diferentes. O trabalho necessário não depende muito do tamanho do tapete, mas sim da complexidade dos desenhos. Enquanto alguns podem ser produzidos em poucas horas, outros podem levar até 2 meses.

Produzindo um tapete através do tear

Não deixe de visitar algum destes teares da região e testemunhar este processo de fabricação ancestral.

Fernando Cezar Pauletto

Engenheiro de Produção por formação, viajante profissional por paixão. Já morou no Brasil, Estados Unidos e Argentina, e neste ano está vivendo uma experiência diferente no México.

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